MULHERES VIRTUAIS

(Eduardo Baqueiro)



Tudo começou com uma brincadeira. Da brincadeira, a necessidade de estar contigo constantemente, até que um dia já fazia parte de minha vida. Já existia um vazio em mim e era você, que não me saía da mente. Não sabia se era amor, paixão ou vício. 

A tua ausência fazia com que me sentisse frágil, como uma criança que perdeu o brinquedo e a vida deixava de ter sentido. Mulher que atina meus sentimentos mais profundos, o que levas dentro de ti que me deixa assim? A paixão me enfraquece o ser, o vício me corrói.

Então eu choro calado por não poder de ti me aproximar. Que tens tu, mulher, que não encontro em outras daqui deste lado? Quem sou eu  para ti, a não ser uma distração, alguém que está sempre do outro lado, à disposição, pronto para voar contigo?  

Não foi isto que desejei, não foi isto que planejei. Sou um pássaro, tenho asas e gosto de sentir o vento em minha face. Gosto de caminhar pelas areias noturnas de tua praia que eu conheço bem.

Preciso sentir o vento para sentir-me vivo novamente, sentir o gosto de sal que sai da pele da mulher em êxtase, do gosto doce de um beijo longo e sensual. 

Mulheres virtuais: bonecas de vitrine, sem preço, sem cor, sem sabor! Que tens tu que choras de saudade, sentes medo do desconhecido? Mulher que crê encontrar a felicidade dentro da tela, mulher que foge à realidade como se fosse encontrar aqui o verdadeiro amor.

Mas o amor que sinto por ti não é virtual. É tão real como o coração que bate dentro de teu peito. Sou alguém que sempre te quer bem e sempre sonha, um dia, te conhecer e dizer pessoalmente do amor e o carinho que sinto por você.