Estranhos
 Eduardo Baqueiro 
 
 
 Há uma brasa ardendo no meu peito
 Que queima meu ser incessantemente.
 Que até o momento era minha maior inimiga.
 Em alguns momentos me sentia dividido,
 Como se eu fosse duas pessoas
 Eram duas vozes querendo assumir minha alma
 Sem nenhuma compaixão, sem nenhuma consideração.
 As respostas para minhas perguntas
 estavam escondidas, e eu não as encontrava.
 Mas eis que chega um estranho tocando meu peito,
 Despertando-me do pesadelo...
 Pegou minha mão, me convidou para caminhar
 Ouviu meus lamentos, sentiu minhas dores
 e me convidou para conhecer seu mundo.
 Um mundo tão parecido com o meu.
 As mesmas dores, as mesmas sombras
 Mas havia um sorriso nos seus lábios
 Sorriso de quem já passou por tudo isto
 Achando graça de tudo que eu reclamava
 Mostrou-me pouca coisa, confesso...
 Mas me deu o que mais precisava
 Me deu esperança de um futuro melhor.
 Mostrou-me a luz no fim do caminho.
 Sentia-me perdido e desesperado
 Não encontrava a saída na escuridão.
 Este estranho, então, cruzou meu caminho
 Trazendo na bagagem poucas palavras
 Ensinou-me que os inimigos são faróis
 indicando o caminho correto que devemos seguir.
 Me apresentou o mundo tal como é
 Um caminho novo, regado de simplicidade,
da pureza que somente o coração de um amigo possui.
 Minhas preces silenciosas foram ouvidas
 Agora tenho certeza de nunca estive só
 Que anjos são os amigos,
 as pessoas que estão próximas de nós
 e casualmente um estranho  aparece
 na nossa vida, trazendo o alimento
 que mata nossa fome de saber.
 O estranho que entrou em minha vida
 deixou de ser estranho
 Hoje é um amigo que sempre estará
  naquele mesmo lugar,
 pronto para me dar a mão
 ou simplesmente caminhar comigo.